26/12/2011
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"O mundo já ingressou na segunda fase da crise"
Em toda parte, a direita retomou a ofensiva. Ela se atém à questão dos déficits orçamentários e da elevação da dívida pública. Ela finge não ver que a austeridade orçamentária, além da transferência, que a felicita, do peso da dívida para as classes populares, não pode senão provocar a recaída numa nova contração da atividade. Essa é a segunda fase da crise. Essa segunda fase não será a última.
O economista francês
Gérard Duménil é autor de vários livros e
ensaios sobre o capitalismo contemporâneo. Este
ano publicou, em parceria com Dominique Lévy, o
livro The crisis of neoliberalism (Harvard
University Press, 2011). Duménil esteve na
Unicamp para uma palestra sobre a crise atual
no Centro de Estudos Marxistas (Cemarx) no
âmbito do programa de pós-graduação em ciência
política do Instituto de Filosofia e Ciências
Humanas (IFCH) da Unicamp.
Em entrevista ao Jornal da Unicamp, ele
analisou o desenrolar da crise econômica
internacional e advertiu: o mundo já ingressou
na segunda fase da crise.
Jornal da Unicamp – Você vem pesquisando
o capitalismo neoliberal há muito tempo. Na sua
análise, como se deve caracterizar essa etapa
atual do capitalismo?
Gérard Duménil – O neoliberalismo é a
nova etapa na qual ingressou o capitalismo com
a transição dos anos 70 e 80. Eu e Dominique
Lévy falamos de uma nova “ordem social”.
Com essa expressão nós designamos a
configuração de poderes relativos de classes
sociais, dominações e compromissos. O
neoliberalismo se caracteriza, desse modo, pelo
reforço do poder das classes capitalistas em
aliança com a classe dos gerentes (classe des
cadres) – sobretudo as cúpulas das hierarquias
e dos setores financeiros.
No decorrer dos decênios posteriores à Segunda
Guerra Mundial, as classes capitalistas viram o
seu poder e suas rendas diminuírem
sensivelmente na maior parte dos países.
Simplificando, nós poderíamos falar numa ordem
“social-democrata”. As circunstâncias
criadas pela crise de
Com o estabelecimento da nova ordem social
neoliberal, o funcionamento do capitalismo foi
radicalmente transformado: uma nova disciplina
foi imposta aos trabalhadores, em matéria de
condições de trabalho, poder de compra,
proteção social etc., além da desregulamentação
(notadamente financeira), abertura das
fronteiras comerciais e a livre mobilidade dos
capitais no plano internacional – liberdade de
investir no exterior. Esses dois últimos
aspectos colocaram todos os trabalhadores do
mundo numa situação de concorrência, quaisquer
que sejam os níveis de salário comparativos nos
diferentes países.
No plano das relações internacionais, os
primeiros decênios do pós-guerra, ainda na
antiga ordem “social democrata”, foram
marcados por práticas imperialistas dos países
dos países centrais: no plano econômico,
pressão sobre os preços das matérias-primas e
exportação de capitais; no plano político,
corrupção, subversão e guerra. Com a chegada do
neoliberalismo, as formas imperialistas foram
renovadas. É difícil julgar em termos de
intensidade, fazer comparação. Em termos
econômicos, a explosão dos investimentos
diretos no estrangeiro na década de 1990
certamente multiplicou o fluxo de lucros
extraído dos países periféricos pelas classes
capitalistas do centro. O fato de os países da
periferia desejarem receber esses investimentos
não muda nada a natureza imperialista dessas
práticas – sabe-se que todos os trabalhadores “desejam”
ser explorados a ficar desempregados.
Quando em meados dos anos 90, nós introduzimos
essa interpretação do neoliberalismo em termos
de classe, ela suscitou pouco interesse. Mas a
explosão das desigualdades sociais deu a essa
interpretação a força da evidência. A
particularidade da análise marxista é a
referência às classes mais que a grupos
sociais. Esse caráter de classe está inscrito
em todas as práticas neoliberais e inclusive os
keynesianos de esquerda se exprimem, agora,
nesses termos. Uma recusa a essa interpretação,
no entanto, ainda se mantém; muitos não aceitam
o papel importante que atribuímos aos gerentes
(cadres) na ordem social neoliberal.
Entre os marxistas, continua-se a recusar que o
controle dos meios de produção no capitalismo
moderno é assegurado conjuntamente pelas
classes capitalistas e pela classe dos gerentes
(classe de cadres), o que faz dessa última uma
segunda componente das classes superiores. Essa
recusa é ainda mais desconcertante quando se
tem em mente que as rendas das categorias
superiores dos gerentes (cadres) no
neoliberalismo explodiram ainda mais que as
rendas dos capitalistas.
JU – Para alguns autores, o
neoliberalismo foi um ajuste inevitável
provocado pela crise fiscal do Estado; para
outros foi o resultado, também inevitável, da
globalização.
Gérard Duménil – A explicação do
neoliberalismo pela “crise fiscal” e
frequentemente também pela inflação é a
explicação da direita; é uma defesa dos
interesses capitalistas. Ela especula com as
inconsequências dos blocos políticos que
dirigiam a ordem social do pós-guerra. Esses
foram incapazes de gerir a crise dos anos 70 e
preparam a cama para o neoliberalismo. Passa-se
o mesmo com a explicação que apresenta o
neoliberalismo como consequência da
globalização. Esse argumento inverte as
causalidades. O que o neoliberalismo faz é
orientar a globalização, uma tendência antiga,
para novas direções e acelerar o seu curso,
abrindo a via para a “globalização
neoliberal”. O movimento altermundialista
lutou por uma outra globalização, solidária, e
não baseada na exploração em proveito de uma
minoria.
JU – Você acaba de publicar, juntamente
com o seu colega Dominique Lévy, um livro sobre
a crise econômica atual. Na sua avaliação, qual
é a natureza dessa crise?
Gérard Duménil – A crise atual é uma das
quatro grandes crises – crises estruturais –
que o capitalismo atravessou desde o final do
século XIX: a crise da década de
Queda da taxa de lucro e explosão descontrolada
das práticas das classes capitalistas são dois
grandes tipos de explicação das grandes crises
na obra de Marx. O primeiro tipo é bem
conhecido. No Livro III de O Capital, Marx
defende a tese da existência de uma “tendência
decrescente da taxa de lucro” inerente ao
caráter da mudança tecnológica no capitalismo
(a dificuldade de aumentar a produtividade do
trabalho sem realizar investimentos muito
custosos, o que Marx descreve como a “elevação
da composição orgânica do capital”).
Note-se que Marx refuta explicitamente a
imputação da queda da taxa de lucro ao aumento
da concorrência. (O segundo grande tipo de
explicação para as crises já aparece em esboço
nos escritos de Marx da década de 1840.) No
Manifesto do Partido Comunista, Marx descreve
as classes capitalistas como aprendizes de
feiticeiros, desenvolvendo mecanismos
capitalistas sob formas e em graus perigosos e
perdendo, finalmente, o controle sobre as
consequências de sua ação. Os aspectos
financeiros da crise atual remetem diretamente
às análises do “capital fictício”, aos
quais Marx consagrou longos desenvolvimentos no
Livro II de O Capital, desenvolvimentos que
ecoam as ideias do Manifesto. De uma maneira
bem estranha, alguns marxistas só aceitam a
explicação das grandes crises pela queda da
rentabilidade, excluindo qualquer outra
explicação, e passam a multiplicar cálculos mal
fundamentados.
Mas a crise atual não é uma simples crise
financeira. É a crise de uma ordem social
insustentável, o neoliberalismo. Essa crise, no
centro do sistema, deveria acontecer, de
qualquer modo, um dia ou outro, mas ele chegou
de uma maneira bem particular em 2007/2008,
vinda dos Estados Unidos. Dois tipos de
mecanismos convergiram. Encontramos, de uma
parte, a fragilidade induzida em todos os
países neoliberais pelas práticas de
financeirização e de globalização (notadamente
financeira), motivada pela busca desenfreada de
rendimentos crescentes por parte das classes
superiores, reforçada pela recusa de
regulamentação. O banco central dos EUA, em
particular, perdeu o controle das taxas de
juros e a capacidade de conduzir políticas
macroeconômicas em decorrência da globalização
financeira. De outra parte, a crise foi o
efeito da trajetória econômica estadunidense,
uma trajetória de desequilíbrios cumulativos,
que os EUA puderam manter devido à sua
hegemonia internacional – contrariamente à
Europa que, considerada no seu conjunto, não
conheceu tais desequilíbrios.
Desde 1980, o ritmo da acumulação de capital
nos Estados Unidos desacelerou no território do
próprio país enquanto cresciam os investimentos
diretos no exterior. A isso é necessário
acrescentar: um déficit crescente do comércio
exterior, uma grande elevação do consumo (da
parte das camadas mais favorecidas) e um
endividamento igualmente crescente das
famílias. O déficit de comércio exterior (o
excesso de importações frente às exportações)
alimentava um fluxo de dólares para o resto do
mundo que tinha como única utilização a compra
de títulos estadunidenses, levando ao
financiamento da economia daquele país pelos
estrangeiros – uma “dívida” vis-à-vis o
estrangeiro, simplificando um pouco.
Por razões econômicas que eu não explicarei
aqui, o crescimento dessa dívida exterior devia
ser compensado por aquele da dívida interna, a
das famílias e a do Estado, a fim de sustentar
a atividade no território do país. Isso foi
feito encorajando o endividamento das famílias
pela política de crédito e pela
desregulamentação – a dívida do governo teria
podido substituir o endividamento das famílias
mas isso ia contra as práticas neoliberais de
antes da crise. Os credores das famílias
(bancos e outros) não conservavam os créditos
criados, mas os revendiam sob a forma de
títulos (obrigações), cuja metade, mais ou
menos, foi comprada pelo resto do mundo.
De tanto emprestar às famílias para além da
capacidade delas saldarem as dívidas, as
inadimplências se multiplicaram desde o início
do ano de
JU – Você falou em suas palestras no
Brasil que a crise econômica teria entrado numa
segunda fase. Como a crise vem se
desenvolvendo?
Gérard Duménil – O mundo já ingressou na
segunda fase da crise. É fácil compreender as
razões. A primeira fase atingiu o pico no
outono de 2008, quando caíram as grandes
instituições financeiras estadunidenses, quando
começou a recessão e quando a crise se propagou
para o resto do mundo. As lições da crise de
1929 foram bem aprendidas. Os bancos centrais
intervieram massivamente para sustentar as
instituições financeiras (com medo de uma
repetição da crise bancária de 1932) e os
déficits orçamentários dos Estados atingiram
níveis excepcionais. Mas essas medidas
keynesianas, estimulando a demanda, só podiam
ter por efeito uma sustentação temporária da
atividade.
Os governos dos países do centro ainda não
tomaram consciência do caráter estrutural da
crise. Eles agem como se a crise tivesse sido
puramente financeira, já ultrapassada;
entretanto, as medidas keynesianas só criaram
um sursis. Nenhuma medida antineoliberal séria
foi tomada nos países do centro. São apenas
políticas que visam o reforço da exploração das
classes populares.
Nos Estados Unidos, a administração de Barak
Obama elaborou uma lei, a lei Dodd-Frank, para
regulamentar as práticas financeiras, mas os
republicanos bloquearam completamente a
aplicação. Em outras esferas, como gestão das
empresas, exportação, déficits do comércio
exterior, nada foi feito. Na Europa, a crise
não é identificada como a crise do
neoliberalismo. A Alemanha é apresentada como
tendo provado a sustentabilidade do caminho
neoliberal. A crise é imputada à incapacidade
de gestão de certos Estados, notadamente a
Grécia e Portugal.
Em toda parte, a direita retomou a ofensiva.
Ela se atém à questão dos déficits
orçamentários e da elevação da dívida pública.
Ela finge não ver que a austeridade
orçamentária, além da transferência, que a
felicita, do peso da dívida para as classes
populares, não pode senão provocar a recaída
numa nova contração da atividade. Essa é a
segunda fase da crise. Essa segunda fase não
será a última. O novo mergulho na recessão
necessitará novas políticas. Contrariamente à
Europa, os Estados Unidos se lançaram
massivamente no financiamento direto da dívida
pública pelo banco central (o quantitative
easing). Muito mais coisa será necessária,
apesar da direita. Nós temos dificuldade em ver
como a Europa poderá escapar disso.
JU – É sabido que a crise econômica
atingiu mais fortemente, pelo menos até agora,
os EUA e a Europa. Na década de 1990, ao
contrário, as crises econômicas foram mais
fortes na periferia. Por que essa diferença?
Como a crise atual se manifesta nas diferentes
regiões do globo?
Gérard Duménil – Até a segunda metade da
década de 1990, o neoliberalismo produziu
estragos no mundo, notadamente na América
Latina e na Ásia. Mesmo hoje, as taxas de
crescimento na América Latina permanecem
inferiores àquelas dos primeiros decênios do
pós-Segunda Guerra Mundial, e isso a despeito
da redução massiva dos salários reais – que foi
reduzido à metade desde a crise de 1970 em
alguns países da região. Na década de 1990 – e
em 2001 na Argentina – os avanços do
neoliberalismo provocaram grandes crises, das
quais a crise argentina é um caso emblemático.
O mundo entrou, agora, numa fase nova. A
transição para o neoliberalismo provoca um tipo
de “divórcio”, nos países do centro,
entre os interesses das classes superiores e os
do país como território econômico. O caso dos
Estados Unidos é espetacular. Como eu disse, as
grandes empresas desse país investem cada vez
menos no território do país e, cada vez mais,
no resto do mundo. A globalização levou a um
deslocamento da localização da produção
industrial para as periferias: na Ásia, na
América Latina e, inclusive, em alguns países
da África sub-saariana.
JU – As políticas propostas pelos dois
grandes da União Europeia para superar a crise
têm repetido as fórmulas neoliberais. Os
mercados intimidam os governos; Sarkozy e
Merkel exigem mais e mais cortes orçamentários.
Por que insistem em uma política que, para
muitos observadores, está na origem da crise?
Que resultado a aplicação de tais políticas
poderá produzir?
Gérard Duménil – Eu não penso de jeito
nenhum que o rigor orçamentário tenha sido uma
das causas da crise. Isso é a expressão de uma
crença keynesiana ingênua, tão ingênua quanto à
crença na capacidade dessas políticas de
suscitar a saída da crise, dispensando as
necessárias transformações antineoliberais.
Porém, nesse contexto, as políticas que visam
erradicar os déficits não deixarão de provocar
uma nova queda da produção.
JU – Muitos analistas têm destacado que
os partidos, sejam eles de direita ou de
esquerda, não se diferenciam muito nas
propostas para enfrentar a crise. Ademais, em
vários países europeus, como a Inglaterra, a
Espanha e Portugal, a direita foi
eleitoralmente favorecida pela crise econômica.
Os movimentos sociais poderiam construir uma
alternativa de poder? Qual poderia ser um
programa popular para enfrentar a crise atual?
Gérard Duménil – Nós não falamos dos
aspectos políticos do neoliberalismo. A aliança
na cúpula das hierarquias sociais entre classes
capitalistas e classes dos gerentes (classes de
cadres) logrou, por diversos mecanismos,
afastar as classes populares da política “politiqueira”.
Quero dizer: as afastou dos jogos dos partidos
e dos grupos de pressão. Para as classes
populares, só restou a (luta de) rua.
É preciso fazer entrar em cena grupos sociais
que se encontram na “periferia” das
classes dos gerentes (classes de cadres): os
intelectuais e os políticos profissionais. No
compromisso social dos pós-Segunda Guerra,
frações relativamente importantes desses grupos
eram partidárias da aliança com as classes
populares (às quais elas não pertenciam), que
elas apoiavam nos seus campos próprios de
atuação.
No contexto do colapso do movimento operário
mundial, as classes capitalistas lograram, no
neoliberalismo, a selar uma aliança com as
classes dos gerentes – usando o recurso da
remuneração, notadamente – conduzindo
gradualmente esses grupos periféricos (a
universidade fornece muitas ilustrações sobre
esse fenômeno) no empreendimento de conquista
social do neoliberalismo. A proporção de grupos
sociais motivados para uma aliança com as
classes populares estreitou-se
consideravelmente, ficando reduzida a alguns
grupos “iluminados” aos quais eu próprio
pertenço.
O sofrimento das classes populares não chega ao
grupo dos gerentes e, no plano político, não há
mais nenhum grande partido de esquerda. Na
França, sabe-se no que se tornou o Partido
Socialista, completamente ganho pela “globalização”,
um termo para ocultar o neoliberalismo. Algo
semelhante poderíamos dizer dos democratas nos
Estados Unidos e eu deixo para vocês mesmos
julgarem a situação do Brasil a esse respeito.
A vida política –politiqueira– se reduz à
alternância entre dois partidos não
equivalentes; mas o partido que se diz de
esquerda é incapaz de propor uma alternativa,
para não falar da sua implementação. O voto se
reduz àquilo que nós chamamos na França o “voto
sanção”. A direita sucede a esquerda na
Espanha, por exemplo, porque a esquerda estava
no poder durante a crise; a direita não tem,
evidentemente, nenhuma capacidade superior para
gerir a crise.
JU – Muitos observadores têm falado da
possibilidade de extinção do euro. Você
acredita que isso poderá ocorrer? Na sua
avaliação, quais seriam os desfechos mais
prováveis para a crise atual?
Gérard Duménil – É possível que alguns
países saiam da zona do euro. Isso não
resolveria o problema da dívida deles, que se
tornaria ainda impagável depois da
desvalorização da nova moeda substituta do
euro. O problema é o do cancelamento da dívida
ou de sua adoção pelo banco central. A crise da
dívida atingiu agora os países do centro da
Europa, e será necessário que esses países
tomem consciência da amplitude e da verdadeira
natureza do problema.
Isso remete às características daquilo que nós
chamamos a “terceira fase da crise”.
Quais políticas serão adotadas face à nova
recessão? Como será gerida a crise na Itália e,
depois, na França? Como a Alemanha responderá à
pressão dos “mercados” (as instituições
financeiras internacionais)? Uma coisa é certa:
essas dívidas não devem ser pagas, o que exige
a transferência delas para fora dos bancos ou
uma forte intervenção na sua gestão.
Agora, o ponto fundamental é a vontade dos
governos dos países mais poderosos da Europa,
notadamente a Alemanha, de reforçar a
integração europeia (em vez de estourar a zona
do euro), que se opõe à vontade de “desglobalização”
de alguns. Esse debate oculta a questão
central: qual Europa? Uma Europa das classes
superiores ou a de um novo compromisso de
esquerda?
[*]
Jornal da Unicamp, Universidade Estadual de
Campinas / ASCOM - Assessoria de Comunicação e
Imprensa - e-mail:
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"Zeferino Vaz" Barão Geraldo - Campinas
- SP
Fonte:
Agência Carta Maior
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